Do Blog de Reinaldo Azevedo
Gloriosos 35 senadores brasileiros aprovaram ontem, debaixo de um poderoso e muito convincente lobby de empreiteiras, a entrada da Venezuela no Mercosul. O bloco comercial conta com uma coisa chamada “cláusula democrática” — vale dizer: ditadura e regimes autoritários não entram. Os parlamentares brasileiros deram um pé no traseiro da verdade — inclusive aquele santo das causas da liberdade chamado Pedro Simon (PMDB-RS) — e disseram “sim” ao governo da Venezuela, a Hugo Chávez e a seus métodos. Muito bem. Em que momento esses valentes tomam essa decisão, já vergonhosa por si? E do que falarei abaixo.
Vocês se lembram do empresário venezuelano Eligio Cedeño, um dos presos políticos de Chávez? Tratei do caso aqui num post de 25 de outubro, quando publiquei uma entrevista com o seu advogado, o canadense Robert Amsterdam. Republico um trecho, em azul, só para que vocês se localizem no debate. Volto em seguida:
Esteve no Brasil, na semana passada, o advogado canadense Robert Amsterdam. Ele é defensor do empresário venezuelano Eligio Cedeño, preso desde fevereiro de 2007. A acusação oficial contra Cedeño é de fraude financeira. O que não aparece nos autos é o fato de que ele deu apoio a oposicionistas venezuelanos, incluindo um sindicalista e uma jornalista que tiveram de fugir do país. O caso da fraude é um tanto rocambolesco e sugere que ele caiu numa armadilha. Ainda que tudo fosse verdade, fato é que o tempo de sua prisão preventiva – dois anos (!) – expirou, e ele é mantido ilegalmente no cárcere. E há a ameaça de que ela seja prorrogada por outros dois.
Voltei
Na entrevista, Asterdam demonstrou como Hugo Chávez destruiu o sistema judicial do país, transformando-o em mero instrumento de sua ditadura unipessoal. Pois agora aconteceu algo raro até mesmo numa ditadura.
No dia 10, a juíza Maria de Lourdes Afiuni concedeu a liberdade condicional a Cedeño, coisa a que ele tinha direito líquido e certo. A continuidade da prisão é que era absurda mesmo para os absurdos padrões que vem assumindo a justiça venezuelana.
A juíza foi presa! Isto mesmo: a ordem foi emitida por um juiz da mesma vara. Chávez a chamou de “bandida”, e um novo mandado de prisão contra Cedeño foi expedido. Qual foi O crime de Maria de Lourdes? Tomou uma decisão contrária à vontade de Hugo Chávez. Outra juíza, Yuri Lopéz, teve o filho ameaçado de seqüestro ao admitir uma queixa secundária, que nem estava relacionada ao relaxamento da prisão, da defesa de Cedeño. Este é o estado de direito vigente na Venezuela. Este é o país que aqueles 35 senadores decidiram admitir no Mercosul.
Segundo os advogados da defesa presentes à audiência, Maria de Lourdes baseou sua decisão no parecer do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenções Arbitrárias. O documento, de 1º de setembro deste ano, declara: “A privação da liberdade de Eligio Cedeño é arbitrária porque viola os artigos 9, 10 e 11 da Declaração Universal de Direitos Humanos e os artigos 9, 10 e 14 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos”.
Chávez foi à TV um dia depois da prisão da juíza para chamá-la de “bandida”, acusando-a de ter tramado previamente a decisão com os advogados de Cedeño. Mais: disse ter instruído o Ministério da Justiça (?), o Supremo Tribunal de Justiça e a Assembléia Nacional a condenar Maria de Lourdes a “30 anos de cadeia”. Ele está sendo acusada de “corrupção, cumplicidade na fuga do réu, abuso de poder e formação de quadrilha”. Ela foi recolhida ao Instituto Nacional de Orientação Feminina — os nomes que as ditaduras dão às cadeias são uma capítulo especial da obra dos canalhas —, uma prisão só para mulheres, que vive em condições lastimáveis, onde estão muitas pessoas condenadas pela própria juíza.
Ainda não está bom? Então fiquem com mais esta: o governo chavista decidiu prender também José Rafael Parra Soluzzo, um dos advogados de Cedeño. Acusação? Por enquanto, não há nem acusação formal.
Parabéns, Aloizio Mercadante! Parabéns, Pedro Simon. Parabéns, todo resto de minoridades!
Judiciário destruído
Chávez destruiu o Judiciário venezuelano. A Assembléia Constituinte — e é por isso que a canalha esquerdista gosta tanto de constituinte; já volto ao assunto! — criou uma comissão do Supremo Tribunal de Justiça (é o correspondente ao nosso STF) que, ATENÇÃO!, contrata e demite todos os juízes do país. Em 2004, o número de membros da Corte saltou de 20 para 32. Os 12 indicados eram todos… bolivarianos! Um outro caso famoso foi o da juíza Alícia Torres, demitida porque se negou a decretar a prisão do presidente da rede de televisão Globovision.
O governo que demite, prende e ameaça juízes é também aquele que pôs a educação sob uma severa vigilância e censura do Estado, que fechou mais de 100 emissoras de rádio, que retirou prerrogativas constitucionais da oposição e que decidiu criminalizar os protestos públicos contra o governo.
Foi essa a democracia que o bigodudo Mercadante defendeu com tanto denodo ontem. É a entrada deste país no Mercosul que Celso Amorim, do alto de seu gigantismo moral, saudou em nota. É disso que gostam os 35 senadores que votaram a favor da entrada da Venezuela no Mercosul.
O apagão de Chávez
22/10/2009
Quando li esta notícia não consegui conter uma risada. Mas calma, não estou tripudiando sobre a desgraça alheia. Até a guerra tem suas regras.
Eu só faço uma observação e uma pergunta.
O apagão de 2001 custou ao PSDB a eleição de 2002. Lula venceu Serra e FHC pagou caro pelos seus erros.
Alguém aí imagina Chávez deixar o povo da Venezuela fazer o mesmo com ele na próxima eleição?
Claro que não. A revolução não pode parar.
Da Veja
Chávez pede à população que pare de cantar no chuveiro e reduza banhos para 3 minutos
“Algumas pessoas cantam no chuveiro, ficam meia hora no banho. Não, meninos, três minutos é mais do que suficiente. Eu contei, três minutos, e não cheiro mal.”
Com esta declaração o presidente venezuelano, Hugo Chávez pediu esta semana à população que restrinja o tempo de seus banhos, pois há graves problemas de abastecimento de água e luz no país.
“Se vocês vão deitar no banho com o sabonete, e vocês ligam o que se chama Jacuzzi, imaginem, que tipo de comunismo é esse? Não estamos em tempos de Jacuzzi”, enfatizou.
A Venezuela sofreu vários apagões no último ano, devido ao aumento da demanda, à falta de investimentos no setor e à redução dos níveis das represas das hidrelétricas.
Em uma reunião ministerial, transmitida pela TV, Chávez anunciou medidas de economia de energia e disse que irá criar um “ministério do apagão”, contra os problemas que têm afetado a imagem da sua revolução socialista antes das eleições legislativas de 2010.
O presidente disse, ainda, que a falta de chuvas, provocada pelo fenômeno El Niño, causou redução crítica na barragem de El Guri, uma das maiores do país.
O governo cogita usar aviões para mexer nas nuvens e provocar chuvas, de acordo com Chávez, e pode publicar, em breve, um decreto proibindo as importações de equipamentos elétricos de alto gasto energético. Ele pediu, ainda, que os ministérios e estatais reduzam imediatamente em 20% o seu consumo de energia.
(Com agência Reuters)

