“Reconhecimento é questão de justiça”
26/08/2010
Olha aí a Marina fazendo o que o PSDB não faz por medo e o PT não faz por conveniência e uma alta dose de cinismo.
Da Agência Estado
Marina critica tucanos por não defenderem governo FHC
ELDER OGLIARI – Agência Estado
A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, criticou a campanha do tucano José Serra por não defender aquilo que o PSDB conquistou quando esteve no governo. “Tenho a coragem de fazer aquilo que nem as lideranças do PSDB são capazes de fazer, que é dar o crédito da política econômica para o (ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso, mesmo ele não sendo assim tão popular”, disse ela, durante entrevista coletiva realizada hoje, em Porto Alegre, para reiterar que o reconhecimento é questão de justiça, de um novo jeito de fazer política.
A presidenciável do PV fez críticas, ainda, à campanha de Serra por usar imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na propaganda de televisão. “Eu tenho admiração pelo presidente Lula, mas tenho a coragem inclusive de não ficar utilizando a imagem dele, os feitos dele de forma oportunista para a minha candidatura”, afirmou Marina, numa alfinetada ao PSDB, que mostrou Serra ao lado de Lula num dos primeiros programas da campanha para afirmar que os dois são líderes experientes.
Marina passou o dia em campanha no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre recebeu o apoio do deputado do parlamento europeu Daniel Cohn-Bendit, fez uma palestra para empresários na sede da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) e conheceu um programa do Ministério Público Estadual (MPE).
Em Canoas, na região metropolitana, a candidata do PV visitou uma Casa de Marina, oferecida por um casal simpatizante para debates e divulgação da campanha no bairro Estância Velha.
“Não foi o PT nem o PSDB, foram os dois”
04/01/2010
DO BLOG DE REINALDO AZEVEDO
Até Elio Gaspari Reconhece, mas…
Leiam trecho da coluna de hoje de Elio Gaspari: Não foi o PT nem o PSDB, foram os dois:
O PROFESSOR Claudio Salm investigou os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1996 e 2002 (anos tucanos) e daí a de 2008 (anos petistas). Ele verificou que a ideia segundo a qual Nosso Guia mudou radicalmente a vida do andar de baixo nacional é propaganda desonesta. Estimando-se que no andar de baixo estejam cerca de 50 milhões de pessoas (25% da população), o que se vê nas três Pnads estudadas por Salm é uma linha de progresso contínuo, sem inflexão petista.
Em 1996, quando Fernando Henrique Cardoso tinha um ano de governo, 48,5% dos domicílios pobres tinham água encanada. Em 2002, ao fim do mandato tucano, a percentagem subiu para 59,6%. Uma diferença de 11,1 pontos percentuais. Em 2008, no mandato petista, chegou-se a 68,3% dos domicílios, com uma alta de 8,7 pontos.
Coisa parecida sucedeu com o avanço no saneamento. Durante o tucanato, os domicílios pobres com acesso à rede de esgoto chegaram a 41,4%, com uma expansão de 9,1 pontos percentuais. Nosso Guia melhorou a marca, levando-a para 52,4%, avançando 11,3 pontos.
O acesso à luz elétrica passou de 79,9% em 1996 para 90,8% em 2002. Em 2008, havia luz em 96,2% dos domicílios pobres.
Esses três indicadores refletem políticas públicas. Indo-se para itens que resultam do aumento da renda e do acesso ao crédito, o resultado é o mesmo.
Durante o tucanato, os telefones em domicílios do andar de baixo pularam de 5,1% para 28,6%. Na gestão petista, chegaram a 64,8% das casas. Geladeira? 46,9% em 1996, 66,1% em 2002 e 80,1% em 2008.
O indicador da coleta de lixo desestimula exaltações partidárias. A percentagem de domicílios pobres servidos pela coleta pulou de 36,9% em 1996 para 64,4% em 2008. Glória tucana ou petista? Nem uma nem outra. O lixo é um serviço municipal.
Nunca antes na história deste país um governante se apropriou das boas realizações alheias e nunca antes na história deste país um partido político envergonhou-se de seus êxitos junto ao andar de baixo com a soberba do tucanato.
Comento (Reinaldo Azevedo)
Como se vê, são os números que provam a vigarice política do discurso do PT. Se até Elio Gaspari reconhece, não é? Se bem que ele o faz amparado num estudo insofismável, com dados do IBGE.
O que acho curioso é que Gaspari não consegue deixar de dar uma porrada no PSDB. Reparem que ele acredita que o partido não divulga adequadamente suas conquistas por “soberba”. Ora, por que um partido se orgulharia de não exaltar as suas realizações?
A pergunta: não terá tido o partido um pouco mais de decoro em anunciar os seus feitos do que tem Lula em cacarejar até aqueles que não são seus?
Gaspari poderia ter lembrado, por exemplo, das primeiras palavras de Dilma Rousseff no programa eleitoral do PT: “Até 2002, o Brasil era um país que tinha tudo, mas não tinha nada…” EU APONTEI A MENTIRA DO PROGRAMA AQUI. E FUI PRATICAMENTE O ÚNICO NA IMPRENSA A FAZÊ-LO. O texto é este: POR QUE GOSTEI DO PROGRAMA DO PT, AQUELE VERDADEIRO SHOWROOM DE MENTIRAS. E a imprensa? Será que não erra nem um pouquinho com o governo FHC? E o colunismo?
Aliás, quantas foram as vezes em que o próprio Gaspari relevou alguns de seus feitos e quantas foram as vezes que preferiu falar naquela tal privataria? Com um particular senso de justiça, Gaspari está dizendo que a culpa da difamação é do próprio difamado.
Ciro preocupa adversários
23/11/2009

O artigo de FHC e o meu voto
07/11/2009
Os que me conhecem sabem que admiro bastante o governo Fernando Henrique, apesar dos seus percalços. Não tenho receio de admitir isso, mesmo sabendo que sou grande minoria. Mesmo sabendo que quase todos os meus amigos me tachariam a pecha de reacionário, neoliberal ou outros xingamentos. Que seja.
Essa simpatia começou nos idos de 97, quando eu comecei na universidade. A universidade, a efervescência do movimento estudantil conseguiram me piorar. De esquerdista que era (até participei de passeatas anti-FHC…), fui para o sentido contrário ao que se espera de um universitário consciente.
Acontece que os dizeres “Fora FHC” pintados em cada muro da UFMA pouco a pouco foram me dizendo que tipo de projeto para o país tinham aqueles progressistas da universidade. O governo, se não era o ideal, estava bem longe de ser ruim. Em meio a várias crises internacionais sucessivas, com a estabilidade econômica sendo (bem ou mal) defendida a qualquer custo – mesmo que isso significasse ainda ficar atado por alguns anos – o país ainda conseguia crescer um pouco. Percebia-se que o Brasil dava um salto de qualidade em vários aspectos, tornando-se um pouco menos irracional e mais institucional, mais profissional.
Foi assim que em 98 votei pela primeira vez contra a esquerda. Foi um voto de protesto contra o discurso “fora FHC” e pelo, com o perdão da expressão, “se só tem tu, vai tu mesmo”.
O tempo passou. Foi quando Lula (e não o PT) teve a grande sacada: ou ele mudava o discurso amalucado, pseudorevolucionário, ou perdia de novo a eleição. O resto sabemos: com a “Carta aos brasileiros”, ele jogava no lixo o programa do PT e ganhava o apoio necessário do empresariado.
Mais 7 anos se passaram e, hoje, o panorama é justamente o oposto.
Acusam a oposição (leia-se PSDB) de não ter discurso. Isso é verdade. Em primeiro lugar, por ainda não existir um porta-voz da oposição. Além de os candidatos a candidato serem meio tímidos, em comparação com a presidenta Dilma. Em segundo lugar, é verdade principalmente porque o PSDB ainda (!) não se recuperou do choque de ver seu discurso ser subtraído pelo Lula e, pior ainda, de ver este sendo mais bem sucedido em sua execução.
A política externa de Lula é ridícula?
A política interna de Lula é fisiologista, atrasada e adiou a morte política de progressistas como Renan, Collor, Sarney & cia?
Ele fala bobagens populistas o tempo todo?
O país continua com os mesmos problemas no campo da saúde, educação e infraestrutura?
O crescimento do país, no período pré-crise, foi pífio, se comparado com o do resto do mundo?
A resposta para todas essas perguntas provavelmente é ‘sim’, e a oposição deve levá-las para o debate em 2010.
Nesse contexto, o polêmico artigo de FHC desta semana foi interessante para pôr fogo na oposição, que anda muito vendo o tempo passar. Mas me deixou também um pouco preocupado (e aqui me recordo de 97).
A oposição tem que admitir que a Lula devem ser dados também muitos créditos, principalmente pela coragem em avançar na área social, que é a área que realmente dá votos. Se o PSDB chegar só com críticas, vai perder feio. Ele precisa dizer rapidamente no que VAI mexer e no que NÃO VAI mexer.
Estou esperando só isso para definir o meu voto.
Para onde vamos?
Fernando Henrique Cardoso
A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?
Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.
É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública. Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou? Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante? Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?
Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.
Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.
Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados. Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.
Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
Dois mitos
20/10/2009
Atenção com a seguinte matéria da Folha, ela desmonta dois mitos que se criaram em torno do tema “inchaço da máquina pública”.
O primeiro foi criado pelo eixo PSDB/DEM e diz os gastos decorrentes com a máquina pública são sempre negativos para o país, por não representar “investimentos”. De acordo com essa posição, investimento se resume a obras de infra-estrutura.
O segundo mito foi criado pelo PT e diz que os conservadores (os tucanos, de modo especial, se é que podem ser chamados assim) têm como sumo ideal político-administrativo o Estado mínimo, como postulado pelo Consenso de Washington (Deus, como estou ficando velho!). Como argumento irrefutável, a esquerda cita o programa de privatizações dos governos Collor e, principalmente, de FHC.
A matéria confirma a similaridade da visão econômico/administrativa de Serra com Lula. E, mais ainda – como mostra uma matéria da revista Piauí desse mês – de Serra com Dilma.
Da Folha
Tucanos aumentam máquina pública em SP
Governos do PSDB, críticos da expansão do funcionalismo sob Lula, ampliam em 33 mil nº de servidores no Estado desde 2003
Governo paulista, assim como o federal, diz que ampliação do quadro de pessoal ocorreu nas áreas de educação e segurança
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Críticos da expansão da máquina do Estado promovida nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos também aumentaram, no mesmo período, o quadro de pessoal e os gastos com o funcionalismo em sua principal vitrine administrativa, o governo paulista.
O FURO DE KENNEDY ALENCAR
19/05/2009
Kennedy Alencar, jornalista da Folha, deu o “furo”: Aécio fechou acordo e será vice de Serra em 2010, acabando com a polêmica sobre, afinal de contas, quem será o candidato do PSDB às eleições de 2010. O acordo teria sido costurado pelo FHC e envolveria cláusulas engraçadas, como a de negar que tenha havido qualquer acordo, bem como de divulgá-lo só em setembro.
Acontece que, de fato, PSDB, Aécio (irado) e o próprio FHC negam qualquer acordo, e ficamos num nonsense. Piada pronta. O Reinaldo Azevedo descascou o repórter da Folha, ao seu estilo, acusando-o de estar a serviço da campanha petista, por estar desestabilizando o campo tucano. O Nassif no início endossou, mas após sondagens, nem disse sim, nem não.
O que aconteceu mesmo? Só esperando setembro…

