Em tempos politicamente corretos e no auge do atual clima de ninguém-segura-esse-país, o comercial exibido na Inglaterra e mostrado domingo pelo Fantástico foi um prato cheio para os patriotas sem senso de humor.
Admito, o comercial é de muito mau gosto, mas dizer que os ingleses (ou os israelenses, que fizeram o comercial) nos desrespeitaram ou são preconceituosos me parece uma imensa bobagem.
Essa idéia de promover o Brasil no exterior explorando a imagem da mulher brasileira é obra… do Brasil. Vide o material de divulgação turística distribuído pelo governo na década de 70. Vide as peladonas do carnaval, cujas imagens rodam o mundo. Infelizmente é o estereótipo que cultivamos para o mundo.
Além disso, trata-se de humor. Ora, o humor se serve é de estereótipos mesmo. Querer controlar o humor – todo mundo que não aceita um apelido imposto sabe – é inútil. E é o lado mais chato da onda politicamente correta.
Fantástico denuncia comercial que desrespeita mulher negra brasileira
A revista eletrônica Fantástico, da Rede Globo de televisão denunciou ontem o conteúdo preconceituoso de um comercial de uma agência de viagens inglesa, que retrata a mulher brasileira como uma atração sexual.
A matéria, foi produzida para o quadro Detetive Virtual, que apura denúncias sobre materiais publicados na internet.
Criado por publicitários israelenses, o vídeo retrata um casal que recebe a visita de uma mulher brasileira, vestida com roupas de dançarina que conheceu o homem durante uma viagem e leva seu filho para o pai, conhecer.
No final do comercial, aparece uma fala que a agência proporciona a viagem, mas não se responsabiliza pelo que pode acontecer.
Apesar de denunciar o preconceito contra a mulher brasileira, o Fantástico esqueceu de mencionar o fato de que a personagem, é negra, o que reforça o estereótipo de objeto sexual das mulheres negras brasileiras ao redor do mundo.
Outro ponto importante é a aparência da criança apresentada como filho do casal. No vídeo, o garoto aparece com o cabelo afro sem nenhum tipo de cuidado, aparentando descuido por parte da mãe.
Segundo a reportagem, os publicitários afirmaram que a intenção era apenas fazer um vídeo engraçado e não demonstrar preconceito.
De acordo com a matéria, o vídeo foi retirado do ar há um ano, mas ainda é possível encontrar um link na internet.
Outra da série
20/05/2009
Estadão:
“Assessor de Bibi: ‘Estado palestino é infantilidade e estupidez’”
Bibi é nome de criança, mas o assessor é que é infantil.

