Capitalismo: uma história de humor
15/10/2010
Assisti nesses dias ao novo documentário de Michael Moore, Capitalismo: uma história de amor. Concordo com ele: o capitalismo é uma porcaria. Parafraseando Churchill, devo que dizer que é o pior sistema econômico do mundo, excetuando todos os outros.
O filme narra as malvadezas do capitalismo, este sistema maléfico adotado por 10 em cada 10 países civilizados; esta ideologia perniciosa que tem conseguido produzir alimento para o mundo inteiro; esta maldição que tem feito a China se abrir para o resto do universo e se tornar realmente uma nação de peso sócio-econômico (e um tiquinho mais democrática); enfim, este paradigma do mal para o qual correram desesperados todos os países do antigo bloco comunista (bem, pelo menos os que fizeram auto-crítica).
Concordo com Moore, por exemplo, quando quer uma economia regulamentada. Ele é contra o poder predatório das grandes empresas. É contra o modo de pensar e governar de George W. Bush. Eu também sou.
Quem assistiu a seus outros documentários, vai notar, não sem antes dar umas boas risadas, uma inflexão de Moore ao comunismo. Não, caro leitor, não ao moderno socialismo, este híbrido de marxismo retórico com capitalismo light de fato praticado em muitos países, como a Espanha e a China. Ele flerta, não sem uma boa dose de ironia, é com o velho comunismo mesmo, com direito à Internacional Socialista na trilha sonora e tudo.
Deve-se ressaltar, fazendo justiça ao cineasta, que o filme trata da versão estadunidense do capitalismo, que se encontra atualmente em uma forma impraticável. Basta ter em mente a crise que o sistema americano provocou no mundo em 2008. Em outros filmes de Moore, o capitalismo de outros países era enaltecido, como o da França. Nesse, ele está com raiva “do sistema” como um todo, mesmo. Prega a sua demolição e a colocação, no lugar, de algo etéreo chamado “democracia”.
O que vem a ser essa “democracia”, ninguém sabe. Ou talvez devamos voltar nossos olhos para a Coréia do Norte para saber.


